Sábado dia 30 de Janeiro de 2004 – Marcar o percurso

Dia de marcar o passeio TT. A hora combinada para estarmos a postos era as 8H00 mas nestas coisas há sempre uma pequena margem e na verdade só por volta das 8H30 é que as hostes estavam praticamente todas reunidas e prontas para avançar.

Um conjunto de 9 moto-4 (Marco e Esticadinho, Boiadeiro e Hugo, Brinkos e KaMané, Paixão e Nelson, Diogo e Ricardo, Carlos e André, Taff e Filipe, Nuno, Frank) partem para a demorada tarefa de marcar todo o percurso a fim de facultar, aos que no dia do passeio ficassem fora de um grupo coordenado pela organização, a possibilidade de facilmente encontrarem o caminho e não se perderem. Muitos rolos de fita, algumas estacas e setas e aí vamos nós, pelo percurso escolhido, “plantando” bocados de fita por todo o lado.

Desde postes de electricidade, aos de telefone, passando por pequenas ervas e arbustos, tudo serve para fazer um belo de um nó e deixar a “marca”. Apesar do mau tempo que teimava em “regar-nos”, a boa disposição era geral e descontraídamente lá seguíamos nós marcando o percurso.

Para consolar os estômagos havia uma paragem marcada na Freixieira com pequeno almoço marcado e que veio a ocorrer por volta das 10H00. O nosso estado, devido à lama e água acumulados, não permitia a entrada no restaurante, pelo que o referido pequeno almoço foi servido em mesas colocadas, simpaticamente, na rua. Pão, queijo fresco, azeitonas, vinho, água, cerveja, enfim “carburantes” quanto baste para permitir a continuação da árdua tarefa até à hora do almoço. Claro está que a mangueira da água fez as delicias de todos quantos nestas ocasiões gostam de dar banho ao resto da malta.

Enfim, estômago mais reconfortado e aí estamos nós prontos para espalhar mais umas centenas de metros de bocados de fita plástica. Chegadas as 13H00 e o contacto telefónico traz a confirmação de que as fabulosas febras e afins estão no ponto e, claro, à nossa espera. Como estas coisas não são para ficar à espera, e por outro lado o resto do percurso pode bem esperar, aí zarpamos nós de Alcaínça, em passo acelerado, ou seja prego-a-fundo, em direcção a Covas de Ferro. Alguns pormenores de registo nesse percurso em direcção às Febras, como o Taff a ser ultrapassado por um maçarico (apesar de levar a servir de contrapeso o Filipe). Dizem as más línguas que quem o ultrapassou foi o mesmo tipo que um destes dias o conseguiu “levar ao tapete” em frente do resto da malta (sim porque o Taff quando malha, é sempre às escondidas e nunca ninguém vê :-). Enfim, mais uma vez sorte de principiante...

Chegados à Cabine e estando o almoço à disposição, apesar do “Taberneiro” se ter esquecido de acordar a horas e ter improvisado para conseguir ter o almoço pronto a horas, a malta tratou de “enfardar” e diga-se de passagem que havia alguns francamente esfomeados. Claro está que como sempre, apesar de fartos de levar com água durante toda a manhã, havia malta com muito mais sede do que fome e o resultado foi o esperado, a equipa durante a tarde viu-se dispensada de alguns elementos, que segundo alguns relatos, sempre mal intencionados, se viram inesperadamente “mal dispostos”.

Por volta das 15H00 lá estávamos nós outra vez prontos a retornar ao percurso para terminar o que tinha sido começado. Desta vez, como o tempo corria contra nós e ainda faltava marcar uma percentagem considerável do percurso, dividimo-nos por equipas com o objectivo de minimizar o tempo necessário para completar a tarefa. Como nestas coisas há sempre uma dificuldade de última hora, nós não fomos excepção e por volta das 16H30 deparámos com uma parede que bloqueava o percurso num local onde as alternativas não eram muitas. Enfim, nada que não acabasse por ser ultrapassado, mas que nos atrasou um pouco mais.

O percurso acabava por ser completamente marcado por volta das 19H30 (já noite) e com algumas baixas no material:

•  O Marco teve um problema num eixo e ficou com a sua Polaris indisponível para o grande dia. Algo completamente inexplicável, até porque segundo o mesmo esta moto nunca tem problemas...(como o outro dizia: “e raramente tenho dúvidas”).

•  O Boiadeiro com um ligeiro problema que o obrigou a criar uma corrente tipo “clone” a partir dos restos mortais de outras 3. Enfim este rapaz tem uma grande capacidade de improviso, agora percebo qual a razão de ele preferir ir atrás do passeio a fazer assistência. É preciso ter alguém com uma moto que todos os fins-de-semana tem um problema diferente para lidar com todas as situações que possam surgir aos participantes do passeio (recorde-se que ele próprio teve outra avaria diferente no passeio: pastilhas).

•  O Paixão que também queria ir atrás a fazer assistência (dizem as más línguas que ele queria mesmo era a companhia do Padrinho), assistindo a estas cenas, pensou que era requisito para o efeito ter uma avaria no dia anterior ao passeio e portanto “inventou” um pequeno problema que ninguém percebeu qual era e foi a reboque até à oficina mais perto.

Seguiu-se uma limpeza/manutenção apressada às motos e um jantar (mais grelhados para não variar) e a preparação do recinto do pavilhão da L.A.C.F. para o almoço do dia seguinte. Embora não tenha estado presente, soube que a coisa correu bem e até tarde, pelo que alguns incautos decidiram “emborcar” os famosos Red Bull com o intuito de não adormecer no local. O problema é que pelos vistos nem no local nem na cama, pelo que apareceram no outro dia com uma cara um pouco “ensonada”.

Depois de termos andado de moto o dia inteiro, além de uma forte “molha” e de umas valentes dores de músculos e tendões, ganhámos alguns ensinamentos. De salientar a questão da parede que à última hora apareceu a bloquear o percurso. Ora aí está uma boa razão para só marcar o passeio no dia anterior.

Frank – Fevereiro de 2004

 

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